Vasco Lourenço
Opinião

Vasco Lourenço: Por um Presidente que represente os Valores de Abril

Portugueses,

Dirijo-me a todos vós como cidadão e como um dos militares que, há mais de cinquenta anos, ajudou a devolver ao nosso povo a liberdade, a democracia e a esperança num futuro diferente.

O tempo que vivemos exige atenção e coragem. Em Portugal, na Europa e no mundo, surgem vozes e movimentos que procuram relativizar o passado de repressão, enfraquecer as instituições democráticas, semear divisões e normalizar práticas que atentam contra a dignidade humana. Esses caminhos são incompatíveis com os Valores de Abril, a liberdade, paz, justiça social, solidariedade e igualdade de direitos. Os valores que estão consagrados na nossa Constituição, aprovada em 1976, e que constituem o fio condutor da vida democrática portuguesa.

À entrada deste ciclo eleitoral que inclui as eleições autárquicas, a 12 de outubro, seguidas logo depois pelas eleições presidenciais, em janeiro do próximo ano, entendo oportuno dirigir a todos os defensores dos Valores de Abril, um apelo para tudo fazerem para não se perderem nem votos, nem esforços nestes momentos, unindo-se todos na defesa intransigente dos valores humanistas da democracia: paz, liberdade e igualdade. 

É por isso que, com total convicção pessoal, anuncio o meu apoio à candidatura presidencial de António José Seguro. Apoio-o porque reconheço nele um compromisso claro e sem ambiguidades com a Constituição, com a defesa da democracia plural e com a proteção dos direitos fundamentais de todos os portugueses.

Hoje é necessário construir maiorias e convergências que não deixem dúvidas: é preciso que as forças progressistas, democráticas e humanistas compreendam que só uma clara convergência de vontades e de votos permitirá um resultado inequívoco, que afirme de forma indiscutível a escolha dos portugueses pela liberdade e pela democracia. Só assim poderemos evitar ambiguidades perigosas e derrotar, com clareza, as tentativas de manipulação da História e de enfraquecimento da nossa República democrática.

Recordo-vos que a nossa história recente não foi um dado adquirido por si só: em vários momentos, ousaram-se impor visões de maior autoritarismo, mesmo num contexto formalmente democrático. Essas tentações foram então derrotadas pelo firme compromisso cidadão com a liberdade e pela clara vontade coletiva de não regressar a tempos de medo. Do mesmo modo, hoje impõe-se derrotar, de forma inequívoca, quaisquer veleidades autoritárias que voltem a tentar ganhar espaço nas nossas instituições e no debate público.

Vivemos, além disso, um tempo em que a democracia portuguesa enfrenta problemas sérios: o descrédito dos cidadãos nas instituições, a perceção de falta de transparência, as desigualdades persistentes e a incapacidade do Estado em responder a desafios fundamentais como a habitação, a saúde, a educação ou a justiça. É por isso fundamental termos um Presidente sério, exigente, com capacidades já demonstradas de defesa da Constituição e que saiba exercer o rigor indispensável para exigir soluções concretas para os problemas reais dos portugueses.

Necessitamos, sem reservas, ajudar à defesa de um projeto de país que não aceita retrocessos civis nem políticas que fragmentem a convivência democrática. Precisamos de um Presidente que una, que proteja as instituições e que seja capaz de olhar para as crianças e jovens com a certeza de que lhes estamos a legar uma democracia viva e resiliente.

Sei que os desafios económicos, sociais e ambientais são muitos, mas sei também, pela experiência da vida, que só a coragem, a verdade e a solidariedade nos orientam nas horas difíceis. É isso que vejo em António José Seguro e é por isso que peço a todos os democratas, de várias sensibilidades, que se mobilizem, que convirjam e que entreguem um mandato forte e claro nas mãos daquele que melhor representa a defesa dos Valores de Abril.

O futuro de Portugal depende da nossa capacidade de nos unirmos em torno da liberdade e da justiça.

25 de Abril, Sempre!

Vasco Lourenço

02 de Outubro, 2025