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Intervenção na Convenção pela Democracia

Minhas amigas e meus amigos,

É com emoção e sentido de responsabilidade que estou aqui, em Aveiro, nesta cidade de liberdade e memória, onde há mais de cinquenta anos um grupo de portugueses corajosos ousou reunir-se para dizer “basta de ditadura!”, queremos viver em democracia.

Hoje, voltamos a Aveiro para reafirmar que cada geração tem a responsabilidade de agir em nome da liberdade e na defesa da democracia. É essa responsabilidade que aqui estamos a assumir, convictos que a defesa da democracia está acima de lutas partidárias. 

Vivemos tempos exigentes. A democracia, que tantas gerações lutaram para conquistar, enfrenta hoje novos desafios: a polarização, a desinformação, a indiferença cívica, promessas por cumprir, o afastamento entre instituições e cidadãos. 

Cuidar da democracia tornou-se, no nosso tempo, uma tarefa urgente. Aquilo que durante décadas considerámos adquirido está hoje ameaçado — a estabilidade democrática, o respeito institucional, a confiança na convivência democrática. 

Vivemos numa era em que as redes sociais amplificam antagonismos, com falsidades e entorses valorizadas por algoritmos. Vivemos em sociedades em que a velocidade da informação ultrapassa a capacidade de a filtrar e compreender, e em que muitos cidadãos se sentem abandonados e afastados dos centros de decisão. 
E, também é verdade, vivemos momentos em que muitos dirigentes políticos agem por oportunismo político esquecendo e manipulando os cidadãos.
Por último, a globalização trouxe oportunidades, mas também desigualdades; e quando as desigualdades crescem, crescem também as frustrações que alimentam discursos simplistas.

Cuidar da democracia, por isso, não é apenas defendê-la em palavras.
É fortalecê-la nas instituições, na transparência, na responsabilização dos poderes públicos. 

Cuidar da democracia é garantir que aqueles que se sentem esquecidos pelo sistema encontrem nele respostas, e não apenas promessas. 
É assegurar que a política volta a ser um espaço de construção e não de destruição, um espaço de esperança e não do medo.

Cuidar da democracia, hoje, significa estar atento, disponível e comprometido. 
Significa garantir que ninguém fique para trás, que ninguém se sinta excluído das decisões que moldam o seu próprio futuro. 
Cuidar da democracia é assegurar que Portugal permanece um país de liberdade, de pluralismo e de respeito — mesmo quando discordamos.

Para isso, precisamos de renovar o pacto de confiança entre eleitos e eleitores. 
Confiança e cidadania. 
Confiança entre cidadãos e Estado; entre eleitores e eleitos; entre diferentes orientações políticas que, apesar das divergências, partilham a mesma base democrática. O nosso chão comum, como gosto de lhe chamar.
Confiança que se constrói com seriedade, com previsibilidade, com políticas que colocam as pessoas no centro.
Confiança que se constrói com a afirmação da cidadania. 
Em que cada pessoa sinta que a sua voz conta, que a sua participação tem impacto. 
Um cidadão que sente que o Estado o protege e o respeita, quer viva no interior ou no litoral, em Portugal ou fora dele.
Cidadania igualmente com políticas promotoras de igualdade de oportunidades. 
Uma democracia verdadeira é aquela que cria condições para que cada pessoa possa realizar o seu projeto de vida: através da educação, do trabalho digno, da inovação, da cultura, da ciência e da proteção social. 

Portugal precisa de uma democracia que abra portas, que incentive o talento e que não deixe que o destino de cada um dependa da sua origem. 

O futuro não pode emigrar. 
Mal vai o país que se conforma em deixar sair os melhores! Mal vai o país que se despede todo os dias do futuro. E o que é ainda mais amargo, é que nos conformamos com esta situação há vários anos e, como sociedade, no seu todo, pouco ou nada fazemos para a resolver.
Não pode ser assim. A democracia também tem de ser feita de inconformismo, rebeldia, e indignação quando chegamos a este ponto. 

A democracia só se fortalece quando todos, repito, TODOS, encontram nela um caminho para viver melhor. Só assim nasce uma comunidade política coesa, com visão e propósito. Onde mulheres e homens vivam com igual dignidade. Cinquenta anos depois é intolerável que as mulheres sejam discriminadas no seu salário ou no acesso ao trabalho por querem ter filhos. 


Eu acredito profundamente que vem aí um tempo novo. 
Um tempo em que podemos fazer diferente e fazer melhor. 

Um tempo em que vamos recentrar a política nas pessoas, na solução dos seus problemas reais, na construção de consensos e não na multiplicação de conflitos. 

Um tempo em que renovamos a esperança; não por ingenuidade, mas porque sabemos que temos os recursos humanos, a inteligência coletiva e a vontade para transformar o país. 

Acredito profundamente que vem aí um tempo novo. Não porque o futuro se construa sozinho, mas porque há sinais claros de que os portugueses desejam uma mudança de atitude, de comportamento político e de prioridades nacionais assente nas soluções para os problemas concretos das pessoas.
Esse tempo novo não virá sozinho; tem de ser construído.
Com responsabilidade e com coragem. Um tempo em que o debate político precisa de voltar a estar ancorado na seriedade e não na teatralização, nos factos e não nas narrativas. Em que as soluções têm de ser pensadas para décadas, e não apenas para ciclos eleitorais.

Será também um tempo de transformação: na economia, que precisa de soluções que apostem em mais inovação e menos burocracia; nos serviços públicos, que exigem modernização e investimento; nas políticas sociais, que devem promover mobilidade, igualdade e inclusão.
O tempo novo é, sobretudo, um tempo de esperança ativa;  não a esperança que espera, mas a que age.


E para este tempo novo, Portugal precisa de um Presidente da República que esteja à altura deste momento. 

Também aqui quero ser claro: Se querem um presidente da gestão do dia a dia e para manter o pântano em que se tornou a nossa vida política não contem comigo. Para manter o pântano votem noutros candidatos. Eu venho para garantir o que está bem e para mudar para melhor o que está mal. O país está num impasse. Não podemos perder mais tempo. Basta de palavras, chegou o tempo de agir. 

Por isso quero ser um Presidente para um tempo novo. Um Presidente que defende a democracia em todas as circunstâncias, especialmente quando ela está mais frágil. Um Presidente leal e cumpridor da Constituição da República, que valoriza o diálogo democrático e seja uma referência ética para a sociedade. A ética que coloquei sempre na minha vida entrará comigo em Belém e norteará a minha ação. Estará presente em todas as nomeações que tiver de fazer como Presidente.

Um presidente que seja integro e sério. Seriedade nos atos e propósitos. 
Seriedade e correto na relação com os outros e com a mesma exigência na relação de todos os responsáveis políticos com cada cidadão.
Não há portugueses de primeira nem de segunda.
Seriedade também como um Presidente justo, imparcial, capaz de unir em vez de dividir. Tenho essas características pessoais que colocadas ao serviço do país, promoverão os entendimentos partidários necessários. 

Colocarei o interesse nacional acima de qualquer cálculo partidário ou conjuntura momentânea. Jamais serei o Presidente de metade contra outra metade. Todos sabem: Saí quando podia dividir, regresso agora para unir.

Um Presidente que dê ao país estabilidade, confiança e sentido de direção. O país não pode ter governos de ano e meio em ano e meio. Governos a prazo, conduzem a um país a prazo. Outro princípio importante: o chumbo do OE não obriga automaticamente a dissolução do parlamento. Sou pela estabilidade como um meio para fazermos avançar Portugal. E também pela estabilidade e pela paz social. O diálogo e a concertação social são indispensáveis, em particular quando as propostas não foram sufragadas eleitoralmente.

Um presidente com experiência, nacional e internacional. 
Um Presidente, não um aprendiz, que conheça de forma concreta o contexto da tomada de decisão no nossos sistema de governo.

Mas também, obrigatoriamente, um Presidente próximo dos cidadãos. Com uma experiência de vida e conhecimento dos problemas reais das pessoas. Das dificuldades do dia a dia. Que entenda o presente e o futuro, das novas gerações. Sim, comigo regressarão as presidências abertas e de proximidade. Tenciono trabalhar durante uma semana por mês em todos os distritos e regiões de Portugal. Terei presente as comunidades de portugueses espalhas pelo mundo e as suas reais expectativas de participarem na vida do nosso país.

Um Presidente da República capaz de unir, de ouvir, de representar todos e não apenas alguns. Um Presidente que não divida, mas que agregue. Que seja um elemento de equilíbrio e de moderação, vigilante perante as tendências de um poder absoluto que se desenha.

Um Presidente que não se esconda nos momentos difíceis, mas que responda com coragem, com serenidade e com sentido de Estado.

Um Presidente exigente. Exigente com a lei, a ética e os compromissos com os portugueses. A começar na formação dos governos. 

Um Presidente exigente com a defesa do Estado Social, em particular com o SNS, a educação e a proteção social publica.

Um Presidente que promova a centralidade da cultura, da ciência e da educação na ação política. 

Um Presidente exigente que rejeita políticas assentes no facilitismo e no imediato e que sacrificam o futuro.

Quero, desejo, que o Presidente da República seja uma referência. 
Uma referência ética e política para todos. 
Quero ser, mesmo no sentido mais amplo destas palavras, o Presidente de Todos os Portugueses.
Cada vez estou mais convicto de que é este perfil que os portugueses esperam de mim como Presidente da República.

Os portugueses conhecem-me sabem as minhas origens políticas.

Inscrevi-me no PS há 45 anos, fui seu líder, pertenço ao campo ideológico da social-democracia/socialismo democrático. Sou da esquerda moderada e moderna. 

Assumo por inteiro todo o meu passado e faço-o com orgulho. 
No entanto, nesta eleição presidencial, o mais importante é saber para onde quero ir. 
Quero ser Presidente de Portugal, presidente de todos os portugueses. 

O meu compromisso é com os portugueses e a minha causa é Portugal. 

O meu compromisso é com Portugal que valoriza o poder local, as autonomias regionais e esteja aberto a novas formas institucionais que promovam o desenvolvimento harmonioso de todas as regiões de Portugal, em respeito pela unidade nacional. 

Mas também o compromisso com um Portugal que defende os direitos humanos, o direito internacional e a resolução pacifica dos conflitos internacionais. A guerra é sofrimento, a paz é e será sempre a solução. Reafirmo o meu compromisso com todas as nossas alianças internacionais e com o aprofundamento político da União Europeia. 

Desde jovem que sou europeísta e fiel a um princípio: problemas comuns, soluções comuns. A Europa precisa de adotar uma resposta comum. Renovar a sua razão de ser, não apenas sustentada nas memórias do passado glorioso, mas na revitalização de um projeto político e social que responda aos problemas das pessoas. Os nacionalismos não são solução. Foram responsáveis pelas maiores tragédias mundiais no século passado. A resposta reside no aprofundamento da integração política, como evidenciaram os problemas originados pela pandemia e pela guerra na Ucrânia. É preciso uma visão comum, mobilizadora, capaz de responder ao mesmo tempo aos desafios da segurança, da economia, da inovação, do ambiente e da demografia. Isso exige liderança, solidariedade entre Estados-membros e uma redefinição clara das prioridades europeias.

É aqui que a minha experiência europeia faz toda a diferença em relação aos meus mais diretos adversários e me coloca como o mais bem preparado para assumir a Presidência da República. Somo à experiência política nacional a experiência política europeia, o inconformismo e uma energia enorme para fazermos de Portugal um país justo e de excelência.


Mas permitam-me que vos diga com toda a clareza: nenhum Presidente, nenhum líder é capaz de transformar um país sozinho.
O futuro que desejamos – um futuro de progresso, de justiça, de bem-estar –  só pode ser construído com todos. 
Só juntos podemos construir um caminho de progresso, justiça e confiança. Um país justo e de excelência. O futuro desejado é um futuro partilhado. Um futuro em segurança. Um futuro seguro.

Por isso, deixo-vos um apelo final a todos os democratas, progressistas e humanistas: saíam do sofá e juntem-se a este movimento de esperança: participem.
A democracia não é um espetáculo para ser visto da bancada; é uma responsabilidade para ser assumida em primeira pessoa.
Nenhuma mudança positiva nasce da indiferença. A indiferença não resolve problemas; apenas deixa que outros decidam por nós.
Cada participação é uma semente de futuro.
O país que teremos amanhã depende das escolhas que fazemos hoje. 

Portugal merece o melhor de nós. E o melhor de nós começa quando cada um decide participar. 

Aqui em Aveiro estivemos a dar o exemplo. Agradeço a participação de todos, das vossas ideias e das vossas propostas. Desejo que esta candidatura seja uma sementeira de ideias para fazermos de Portugal um país justo e de excelência. 

Sei que muitos viajaram de longe. Num dia chuvoso. Só uma grande causa nos tirou hoje de casa: o amor a Portugal e à liberdade. 

É por esta causa que me candidato.  

Aqui estou a dar o exemplo, com coragem e determinação.

Conto com todos. Com quem votou e com quem se cansou de

votar. Com quem acredita e com quem duvida.

Esta candidatura é vossa. É uma candidatura popular. Venham, passem a palavra e tragam outros amigos também.

Eu sou um de vós. Sou um de nós. Em Belém serei a vossa voz. 

É por Portugal que vamos. Vamos construir um futuro Seguro. Vamos.

15 de Novembro, 2025